Julgamento de religiosos acusados de pedofilia é adiado


A Justiça de Alagoas adiou para o dia 21 de julho a continuação do julgamento dos monsenhores Luiz Marques e Raimundo Gomes e do padre Edilson Duarte, acusados de exploração sexual contra três ex-coroinhas no Estado, quando as vítimas eram adolescentes. Das 15 testemunhas arroladas, seis, além dos coroinhas, tinham sido ouvidas até o início da noite desta sexta-feira. Uma testemunha não compareceu e por isso o julgamento foi adiado.

Orgias com jovens na catedral de Arapiraca-AL, pagas com o dinheiro do dízimo.

Acusados de abusar sexualmente de coroinhas durante 15 anos, os religiosos são julgados na cidade de Arapiraca (a 160 km de Maceió). O caso chocou o País em 2010, quando o SBT exibiu vídeos mostrando as relações sexuais dos católicos com os adolescentes. A repercussão foi tanta que, em março do ano passado, o Vaticano reconheceu os casos de exploração sexual.

Na Justiça alagoana, o destino dos três está nas mãos do juiz João Azevedo Lessa. "São muitas testemunhas, muitos acusados, muitas vítimas e, se não for possível terminar nesta data, continuaremos em outra", disse o magistrado. O Ministério Público (MP) ofereceu denúncia na 8ª Vara Criminal de Arapiraca contra os religiosos por exploração sexual.

Na denúncia, o MP diz que "aproveitando-se da qualidade de sacerdote, os denunciados aproximaram-se das vítimas, coroinhas à época, que tinham entre 12 e 17 anos, com o intuito de satisfazer seus desejos sexuais. Para conseguir o intento, constrangiam os jovens utilizando-se da confiança que desfrutavam, ofereciam vantagens econômicas e, ainda, intimidavam aqueles para que não revelassem os encontros sexuais ocorridos com frequência".

O defensor Edson Lucena, advogado dos monsenhores e do padre, afirma que "a linha da defesa não mudou" e continua com a negativa da autoria do crime. "Os nossos clientes não cometeram abuso sexual algum", disse. Já para o promotor Alberto Tenório, que pede a condenação dos réus, há provas, "testemunhas que trabalhavam na época na casa paroquial e o padre Edilson é réu confesso".
Orgias na catedral

Conforme o MP, os casos de abuso sexual contra os três coroinhas duraram pelo menos 15 anos. Alguns encontros, segundo as investigações, aconteciam em uma casa de veraneio na Barra de São Miguel (litoral sul do Estado). A apuração do caso foi conduzida pela delegada Maria Angelita de Lucena e Melo e Souza. Ela ouviu mais de 40 pessoas, durante dois meses, em 2010.

Além disso, membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia do Senado estiveram em Arapiraca em 2010 para colher depoimentos. Em um deles, o padre Edilson confessou participar de orgias com jovens na catedral da cidade, pagando os programas com o dízimo recolhido pelos fieis e citando a participação de outros membros da Igreja em festas reservadas.

Os acusados estão incursos nas penas cominadas no artigo 244-A, da Lei 8.069/90, onde submete criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual.

Para este tipo de crime, a pena é de sete anos de reclusão e pagamento de multa.
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