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Não existe lado bom da pandemia


Assim como não existe lado bom em uma guerra, em um genocídio ou em uma chacina, não há lado bom em uma pandemia.

Tenho visto pessoas privilegiadas dizendo que o lado positivo da pandemia é a possibilidade de fazer yoga, de escrever livros, de aprender receitas... 

Desculpa, mas não consigo extrair leitura positiva da morte de milhares de pessoas,do colapso do sistema de saúde, da falência de empresas e famílias.

Também não consigo aproveitar o momento trágico p/ "buscar auto conhecimento", pois para mim não é tempo de meditação, mas de ação, de solidariedade. 

Para as pessoas que estão tendo aprendizados nesse cenário trágico, digo: aprender na dor é fácil, difícil é aprender no amor; aprender na instabilidade é simples,complexo é aprender na zona de conforto.

Serão necessárias quantas pandemias para as pessoas "aprenderem" que estavam trabalhando demais, que estavam poluindo demais, que estavam consumindo demais e que a família é importante?!

Sei que muita gente está tentando dar leveza a esse momento e fazer da suposta leveza um escapismo. 

Mas é importante entender que a expressão "lado bom" deve ser substituída pela palavra "privilégio". 

Fazer yoga, escrever livros e cuidar das plantas na quarentena não é "um lado bom", são privilégios! 

Para muitas famílias, esses privilégios estão distantes , pois - em vez de fazer yoga- estão imersos em um cenário desolador, tendo que se expor ao risco de contaminação para tentar sobreviver. 

Há quem diga:"mas os rios agora estão menos poluídos".

Respondo: com o fim da quarentena, as economias estarão em uma crise inédita na história. Para reaquecer as economias, aumentarão absurdamente a exploração do meio ambiente e a poluição no planeta. Daí a importância de debater mais do que nunca a crise climática, em vez de se alegrar com a temporária redução da poluição. 

Em "Quincas Borba",de Machado de Assis, há um bêbado que passa em frente a uma casa incendiada e vê a dona da casa chorando. Em seguida, ele pergunta se pode acender o cigarro nas chamas do incêndio... Não quero acender meu cigarro no incêndio alheio.

Quero reconhecer meus privilégios e usá-los para ajudar aqueles que estão vivendo um inferno na terra.

Duda Salabert 

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